Todos os perfis
Alerta de Carga Tributária
Médicos, arquitetos, advogados no CPF.

O fim do consultório informal no CPF

A partir de janeiro de 2027, entra em vigor a exigência do CNPJ Técnico para profissionais liberais e autônomos que faturem acima de R$ 40.500,00 por ano.

Quem hoje atende no CPF e recolhe apenas o Carnê-Leão é o perfil que mais sente a Reforma. O modelo informal deixa de ser viável — e a diferença entre continuar no CPF e abrir uma PJ bem estruturada pode passar de 20 pontos percentuais de carga tributária.

Limite de R$ 40.500,00 por ano — vigência em janeiro de 2027

Acima desse faturamento anual, o CNPJ Técnico passa a ser obrigatório para emitir nota como autônomo.

Até 27,5% de IR no Carnê-Leão, somado a IBS e CBS

Manter o faturamento no CPF tende a ser a opção mais cara a partir de 2027.

Abertura de PJ leva tempo

Entre registro, alvará, conselho de classe e enquadramento no Simples, o processo pode levar de 30 a 90 dias. Comece em 2026.

O que é o CNPJ Técnico

Contexto

É uma inscrição vinculada ao seu CPF, criada apenas para permitir a emissão da NFS-e Nacional.

Com ela, o governo passa a enxergar e tributar IBS e CBS sobre os serviços prestados por autônomos. Não é uma empresa: não há contrato social, sócios nem separação patrimonial — apenas o cadastro fiscal obrigatório.

A conta que assusta: CPF x CNPJ

Atenção máxima

Mantendo o faturamento no CPF:

  • IRPF pelo Carnê-Leão, com alíquota progressiva de até 27,5%.
  • Somado ao IBS e à CBS sobre o serviço prestado.
  • Sem possibilidade de crédito e com poucas deduções.

Com uma PJ no Simples Nacional, Anexo III, a carga inicia em 6% sobre o faturamento, incluindo tributos federais, municipais e a contribuição previdenciária patronal.

Fator R: a chave do Anexo III

Requer decisão

O Fator R compara a folha de pagamento (incluindo o pró-labore) com o faturamento dos últimos 12 meses.

  • Folha igual ou superior a 28% do faturamento → Anexo III, a partir de 6%.
  • Folha abaixo de 28% → Anexo V, a partir de 15,5%.

Para a maioria dos profissionais liberais, ajustar o pró-labore é o que garante permanecer no Anexo III. É um cálculo que precisa ser revisado mês a mês.

Sociedade uniprofissional e regimes específicos

Contexto

Algumas profissões regulamentadas (saúde, advocacia, engenharia, contabilidade, entre outras) têm redução de 30% nas alíquotas de IBS e CBS quando prestadas por sociedade uniprofissional que atenda aos requisitos legais.

A estrutura societária correta deixa de ser detalhe formal e passa a ter efeito direto na alíquota.

O que muda x o que não muda

O que muda
  • Passa a existir o CNPJ Técnico obrigatório acima de R$ 40.500,00 de faturamento anual, a partir de 2027.
  • Serviços prestados por autônomos passam a ser alcançados por IBS e CBS.
  • A emissão de NFS-e Nacional torna a receita plenamente rastreável.
O que NÃO muda
  • Quem fatura abaixo do limite continua recolhendo apenas o Carnê-Leão.
  • As deduções tradicionais do livro-caixa do autônomo (aluguel do consultório, secretária, materiais) permanecem.
  • A tabela progressiva do IRPF continua a mesma.

Na prática: profissional que fatura R$ 30.000,00 por mês

No CPF: a base cai na alíquota máxima do Carnê-Leão (27,5%), com deduções limitadas ao livro-caixa, e ainda passa a sofrer IBS e CBS sobre o serviço.

Em PJ no Simples, Anexo III: com pró-labore ajustado para manter o Fator R acima de 28%, a alíquota efetiva costuma ficar na faixa de 8% a 12% sobre o faturamento, já incluída a contribuição patronal, mais o INSS e o IR sobre o pró-labore.

A diferença anual, nesse patamar de faturamento, costuma superar seis dígitos. A simulação individual é indispensável porque depende da folha e das despesas.

Linha do tempo da transição

  1. 2026

    Ano de preparação

    Momento ideal para abrir a PJ, ajustar contratos e organizar o pró-labore antes da virada.

  2. Janeiro de 2027

    CNPJ Técnico obrigatório

    Autônomos acima de R$ 40.500,00 anuais passam a precisar do cadastro para emitir nota.

  3. 2027

    CBS em vigor

    Serviços passam a sofrer a CBS; o IBS entra em transição a partir de 2029.

  4. 2033

    Modelo pleno

    IBS e CBS integralmente vigentes sobre serviços profissionais.

O que fazer agora

  • Some o faturamento dos últimos 12 meses e compare com o limite de R$ 40.500,00.
  • Levante as despesas dedutíveis do livro-caixa que você usa hoje.
  • Simule CPF x PJ no Simples (Anexo III e Anexo V) com números reais.
  • Se a PJ for o caminho, abra ainda em 2026 — registro e conselho de classe levam tempo.
  • Defina o pró-labore que mantém o Fator R acima de 28%.
  • Verifique se a sua profissão se qualifica para a redução de 30% como sociedade uniprofissional.
  • Migre contratos e recebimentos para o CNPJ com data definida, evitando meses mistos.

Perguntas frequentes

Nossa recomendação

A melhor estratégia será abrir uma Pessoa Jurídica no Simples Nacional. Usando o Fator R, enquadramos no Anexo III, onde os impostos iniciam em apenas 6%.

Quero avaliar a migração de CPF para CNPJ

Conteúdo revisado em 15 de agosto de 2026.